Prédio do Museus das Culturas Indígenas

Museu das Culturas Indígenas em São Paulo

O Museu das Culturas Indígenas (MCI) é um espaço intercultural que promove encontros entre povos indígenas e não-indígenas para abordar e compartilhar as diferentes culturas, crenças, línguas, saberes e artes de povos originários.

Inaugurado em 2022, este lugar se apresenta como TAVA, a Casa de Transformação (que na cultura Guarani significa um espaço vivo e dinâmico que abriga diversas formas de pensar, tramite saberes a partir das suas próprias vivências.

Com espaço bem silencioso, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) apresenta obras de multiartistas num ambiente projetado sob a ótica indígena e mantido por indígenas.

E são eles mesmos (mestres dos saberes) que nos apresentam o Museu das culturas indígenas e contam suas histórias enriquecendo nosso passeio. Consideradas “museus vivos”, essas pessoas nos mostram orgulhosamente seus costumes e suas lutas.

Por lá você não encontrará “peças” antigas, mas sim exposições que mostram a criatividade de artistas indígenas em nos passar sobre respeito à eles e a natureza.

Abaixo eu descrevo como foi visitar este museu tão importante e dicas para o seu passeio por lá.

História do Museu das Culturas Indígenas

Segundo o Censo 2022, no Brasil há cerca de 1,7 milhões de indígenas divididos em 305 etnias e 274 idiomas. Só no estado de São Paulo há 55.295 de pessoas da população indígena. Entre as principais tribos estão: Guarani Mbya, Guarani Nhandeva, Tupi-Guarani, Tupi, Kaingang, Krenak e Terena.

Museu das Culturas Indígenas - Cada parte da fachada teve a colaboração de vários territórios
Museu das Culturas Indígenas – Cada parte da fachada teve a colaboração artística de vários territórios

E entre lutas para garantir seus territórios, respeito a natureza, problemas com preconceito, violação dos seus direitos, falta de acesso à diversos serviços públicos, entre diversos outros problemas, a conquista de um espaço em que eles pudessem ser ouvidos, como o Museu das Culturas Indígenas, foi conquistado através de muita coragem do território do Jaraguá, na cidade de São Paulo, com várias mobilizações de rodovias e protestos para que ao menos fossem ouvidos sobre seus direitos.

Com dois anos de funcionamento a gestão é compartilhada entre ACAM Portinari, o Instituto Maracá, Conselho Aty Mirim e com administração da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo.

Administrado por indígenas, este espaço dialoga sobre assuntos que nos trazem reflexões relacionadas ao reconhecimento e respeito aos povos originários e a natureza.

Ainda em processo de construção e aprendizagem entre indígenas e atividades museológicas, Marcio Mendonça Boggarim (liderança da Tekoa Yvy Porã) declara em vídeo institucional do Museu das Culturas Indígenas sobre sua primeira experiência como curador de um museu:

“por ser um trabalho muito novo e a gente precisa entender como funciona uma curadoria, o espaço e a imersão e como pretendemos colocar a nossa vida e modo de vida num andar, numa parede através de vídeos, fotos é um desafio para nós”.

Com dois anos em funcionamento, o Museu das Culturas Indígenas atua com pessoas indígenas nas atividades do museus e projeta ser valorizado por visitantes e sociedade por realizar atividades que promovam a compreensão de experiências passadas, presentes e futuras de povos originários do Brasil visando bem-estar social e seus direitos.

E sinceramente? Estão construindo um museu incrível, com diversas equipamentos tecnológicos sem deixar de ser um espaço acolhedor, criativo, educativo e humanizado! Um exemplo para ser seguido por outros museus inclusive.

Como visitar o Museu das Culturas Indígenas?

O museu nos recebe com um grande espaço aberto onde podemos as artes no portão, nas paredes do prédio e jardim, além da feira de artes manuais com obras de indígenas convidados.

Para visitar o Museu das Culturas Indígenas é preciso comprar ingressos na bilheteria no local ou online de forma antecipada, exceto às quintas quando a entrada é gratuita.

Após passar pela porta de vidro do prédio, a bilheteria estará do lado esquerdo. Você apresenta ou compra seu ingresso e deixa mochilas e grandes volumes no pequeno armário com chaves do lado de fora, ao lado fora banheiros e bebedouro ou atrás da bilheteria.

O espaço é aberto para todas as idades, mas crianças de até 10 anos devem estar acompanhadas pelos pais e/ou responsáveis, combinado? E lembre-se de não comer, beber ou mascar clicletes e balas nas áres expositivas.

Recomendo que vá de calçados confortáveis e com tempo livre para absorver as histórias e toda área expositiva, umas 2 ou 3 horas em média.

O que fazer no Museu das Culturas Indígenas?

O Museu das Culturas Indígenas oferece diversas formas de interações, desde materiais online até conversas com os povos originários que nos guiam na visita mediada.

Dependendo do dia que estiver planejando sua visita, pode ser uma dia bem agitado por lá. Veja tudo que o museu oferece para você:

Conteúdo Online

Se você quer conhecer um pouco mais sobre a luta dos povos indígenas, sua arte e palestras, o Museu das Culturas Indígenas (MIC) disponibiliza conteúdos on-line em vídeo para os visitantes antes mesmo de chegar até o espaço.

Exposições

Com curadoria de artistas indígenas, o museu nos presenteia com exposições de longa duração, temporárias e ainda exposições virtuais.

Programação

Todo mês há uma programação especial, entre eles: encontro com educadores, brincadeiras indígenas, oficinas, cinema, roda de conversa e palestras. Você pode acompanhar as atividades no site que linkei acima ou na página do Instagram.

Visitas mediadas com os Mestres dos Saberes

Fazer visitas mediadas com educadores indígenas (Mestres de Saberes) é sem dúvidas a parte mais importante da visita neste museu.

Imagina você conhecer as histórias e tirar suas dúvidas diretamente com um Mestre do Saber?

Cada mestre mostra aos visitantes suas referências e cada um apresenta seus pontos de vistas distintos. Essa diversidade é a maior riqueza do museu já que nos conectam aos indígenas Guarani, Mahinako, Huni-kuin, Pankararu, Karajá, Xucuru-Cariri, Xavante ou Wajá.

Não é preciso fazer agendamento para ter esse acompanhamento, basta aguardar a sua vez e respeitar o limite de 20 pessoas dentro do espaço.

No dia da minha visita tive a honra de ser acompanhada pela mestre de saberes: Sônia Ara Mirim, uma grande referência de luta e resistência na cidade de São Paulo.

Museu das Culturas Índígenas – Sônia Ara Mirim

Como liderança indígena do Jaraguá, esta ativista Guarani atua em vários movimentos sociais pelo Brasil e inclusiva é uma das responsávéis pela criação do Museu das Culturas Índigenas!

Feira de Artes Manuais Indígenas

Durante o período de funcionamento do espaço ocorre uma feira de artes manuais indígenas na área externa do térreo. Nessa parte eu fiz a festa e comprei muitas coisas. Impossível não se apaixonar!

Infraestrutura do Museu das Culturas Indígenas

O prédio do Museu das Culturas Indígenas tem três andares com exposições distintas em cada um, uma sala destinada para oficinas, uma para o Centro de Pesquisa e Referência para consulta de materiais e um amplo quintal onde normalmente ocorre os eventos maiores e a feira de artes manuais.

O acesso do térreo até os andares de exposições são realizados por um elevador ou escada de emergência. Há sanitários acessíveis e bebedouros (é preciso levar garrafa ou copos).

Entre as obras e instalações há comunicações em braile e QR Code apresentando um audioguia da exposição e de algumas partes dela.

Sala Multiuso

No sétimo andar fica a sala multiuso com a simpática (e confortável) jiboinha Huni Kuin. Este espaço pode ser visitado livremente caso não tenha alguma oficina ou palestra por lá.

Visão ampla na sala multiuso do museu das culturas indígenas
Museu das Culturas Indígenas – Fala a verdade: não dá vontade se jogar só de olhar para a Huni Kuin? 🐍
Três prateleiras da sala multiuso do Museu das Culturas Indígenas com livrros e pequenas maquetes.
Museu das Culturas Indígenas – Além dos livros, maquetes nos apresentam os biomas brasileiros.

Nas prateleiras no fundo da sala há livros de contos, quadrinhos e educação indígena, entre outros assuntos para consulta. E o mais legal é que este pequeno acervo está sempre se renovando!

Museu das Culturas Indígenas – A Laiz me apresentou o Mapa e é bem fácil a interação com ele.

Uma novidade lançada neste ano, foi o Mapa Interativo. Este totem que fica bem no cantinho da Sala Multiuso e nos traz informações atualizadas sobre cada território indígena.

Centro de Pesquisa e Referência (CPR)

Ainda sem previsão de inauguração, a biblioteca está em processo de formulação. A ideia é que o acervo seja disponibilizado futuramente para todos os visitantes.

Por enquanto, quem cumpre este papel é o Centro de Pesquisa e Referência (CPR), uma área responsável por pesquisar e compartilhar as referências patrimoniais materiais e imateriais.

Essa área disponibiliza materiais apenas para pesquisadores para consulta no local mediante a agendamento prévio pelo e-mail: cpr@museudasculturasindigenas.org.br.

Abaixo estão as distâncias entre o Museu das Culturas Indígenas, o metrô e onde estacionei.

Qual a importância do Museu das Culturas Indígenas para a cultura indígena?

O Museu das Culturas Indígenas conserva e promove o patrimônio cultural desses povos originários e se torna uma escola viva para transmitir conhecimentos e saberes.

Informações importantes sobre o Museu das Culturas Indígenas:

Endereço: Rua Dona Germaine Burchard, 451 - Água Branca
Horários: De terça a domingo, das 9h às 18h. De quinta, das 9h às 20h. Fechado às segundas
Valor: Inteira: R$ 15. Meia entrada: R$ 7,50. Gratuito toda quinta
Como chegar: Metrô: estação Barra Funda -  Carro: estacionei no Sonda Supermercados - Água Branca
Clique neste banner para acessar o site oficial do Museu das Culturas Indígenas

A minha visita foi realizada em 8/8/2024 e por ser um museu de apenas dois anos de funcionamento, o Museu das Culturas Indígenas está em processo de construção inicial tanto para sua estrutura de atividades e processos quanto física, então é natural que aconteçam algumas mudanças no espaço ou regras por lá após a publicação deste artigo.

Para este caso, recomendo que consulte também o site oficial para confirmar algumas regras por lá, combinado?


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