O Sol para arte tem uma relação fundamental e fascinante já que por muitos anos houve uma troca, inspiração e admiração por meio dessa conexão.
Há milênios os humanos são deslumbrados pelo céu e sua principal fonte de entusiasmo, muitas vezes, vem de um ponto brilhante bem no centro do nosso sistema solar: o Sol.
Se observarmos os milhares de significados do Sol pelo mundo vimos que desde as antigas civilizações (do dia a dia até seus rituais sagrados), passando pela filosofia, interferindo diretamente na vida e saúde de todos os seres vivos, até chegarmos atualmente, onde é visto também como inspiração para arte.
Dessa forma compreendemos a dimensão e o poder dessa estrela para todos!
Aprendemos desde cedo na escola que o Sol para arte é essencial, já que ao falarmos sobre essa estrela anã nos referimos à luz, sombra e cores, elementos básicos da linguagem visual que sustentam a inspiração desse corpo celeste, certo?
E se eu te contar que ele também estimula o nosso lado criativo?
Índice
De que forma o Sol inspira artistas?

Em algumas culturas, o Sol representa firmeza, força e poder.
No Egito antigo, por exemplo, ele é venerado como divindade do renascimento vitorioso toda manhã.
Como uma ferramenta de rotina, ele auxiliava as pessoas a navegarem e a descobrirem as horas durante o dia, por exemplo.
Se você estiver lendo este artigo em um dia ensolarado, recomendo tirar alguns minutinhos para observar ao seu redor, onde a luz pode alcançar… veja a luz, sombras, brilho e tons em sua volta.
A partir dessa pequena análise, ou meditação eu diria, veja que podemos facilmente se inspirar em qualquer qualidade do Sol (seria ele um, multitarefas, rs?)
O Sol pode influenciar na criatividade humana?
Ao ler alguns artigos sobre esse tema, fiquei com essa dúvida. Então busquei por um profissional da área da saúde para não falar bobagens por aqui, rs. e foi aí que recorri ao especialista em Neurologia Cognitiva e do Comportamento pela USP, Hugo Salomão Furtado Grangeiro Mirô.

Segundo o especialista, o Sol fabrica a matéria de todo nosso corpo, e emite a energia que sustenta a vida.
Além de iluminar um mundo de cores e formas, que dão substrato ao nosso pensamento.
O sol alimenta não só as plantas, mas a nosso corpo também!
Ele reforça que, a vitamina D, da qual precisamos para viver, é fabricada em nossa pele apenas com a participação do sol.
Esta vitamina participa não só da saúde dos ossos, mas do cérebro também, estando seus níveis mais baixos associados a diferentes doenças em nosso sistema nervoso.
O Dr. Hugo nos responde que há ainda estudos que sugerem que o Sol, principalmente quando acompanhado de atividade ao ar livre, pode estimular áreas do cérebro que se relacionam com a criatividade.
O médico ainda reforça que há outros estudos, onde se observam as diferenças entre as estações do ano e mostram que os períodos com maior exposição solar podem ajudar funções cognitivas diversas e até nos proteger um pouco da demência de Alzheimer.
“Esta relação do sol com nosso cérebro é muito novidade na ciência e mais estudos são necessários para a conhecermos melhor.
Já a relação com nosso humor não preciso nem falar, além de já existirem estudos científicos bem estabelecidos, basta ir a um parque ou à praia, num dia de sol para sentir na pele.”
Quais artistas brasileiros se influenciaram no Sol em suas obras?
Mesmo com inspirações e técnicas diferentes, os artistas citados abaixo utilizavam o Sol para arte como um poderoso símbolo da força, energia e conexão com a vida tropical no cotidiano brasileiro, por meio das suas obras.
Tarsila do Amaral – Sol Poente
Artista paulistana Tarsila do Amaral pintou “Sol Poente” durante o modernismo brasileiro na década de 1920, com intuito de valorizar os elementos da identidade nacional.

O Sol neste contexto simboliza a transformação de um fim de ciclo e o início de outro. Uma metáfora para um Brasil em que começava a valorizar sua própria identidade.
Seguindo essas características, esta obra foi uma referência muito importante para a arte contemporânea.
Rubem Valentim – Composição 12

Rubem Valentim foi um artista fundamental do século 20, pois promoveu combinações entre elementos do continente africano e da cultura brasileira.
Se dedicou às questões litúrgicas das religiões de matrizes, com foco especial em símbolos sagrados e ferramentas de orixás.
O Sol em suas obras são representados com frequencia como a divindade chamada Oxalá.
“Cada dia de sol é para mim um deslumbramento.” Rubem Valentim
Roberto Burle Marx – Artista paisagista

Ao projetar seus jardins somente com plantas nativas, ele priorizava criar caminhos para que a luz do Sol interagisse com a flora brasileira destacando as cores e formas brilhantes.
Muitos trabalhos deles são tombados, inclusive o Sítio Roberto Burle Marx, na cidade do Rio de Janeiro, é Patrimônio Mundial reconhecido pela UNESCO Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.
Luz do Sol – Caetano Veloso
“Luz do Sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz”
Falando um pouco de música temos uma lista enorme de gêneros que descrevem sobre esta estrela anã, mas aqui selecionei Luz do Sol de Caetano Veloso:
Esta canção é um poema lírico lançado em 1985, no álbum Caetanear, durante o fim da ditadura militar.
Não encontrei entrevistas ou fontes oficiais do artista sobre a criação da composição, mas ao se atentar à letra, ela descreve a luz solar como uma fonte de vida e renovação da esperança (simbólico para aquele ano, não?).
Além disso, ela reforça a nossa atenção para que a natureza seja algo que deve ser valorizado e protegido por nós o tempo todo.
Em 2019 surge o primeiro aplicativo de ativismo ambiental do Brasil, o 342 Amazônia, com show de Caetano Veloso e convidados no Circo Voador no Rio de Janeiro. Durante o evento, Luz do Sol é a 4º canção inserida na lista de músicas que simbolizam o respeito ao Meio Ambiente.
Qual artista deve entrar nessa lista? Deixe sua sugestão nos comentários no rodapé da página 🙂
Exposição sobre o tema: Luz ӕterna – Ensaio Sobre o Sol no CCBB SP
Se você gostou desse tema, até dia 25 de novembro de 2024, o prédio anexo do CCBB SP recebe a exposição gratuita LUZ AETERNA – Ensaio sobre o Sol.
Com cinco obras, entre elas imersivas e contemplativas, artistas brasileiros usando materiais e tecnologias nacionais, nos convidam para contemplar essa estrela que tem o papel tão relevante para nossa existência.
“As obras dessa exposição ilustram o que ocorre quando o Sol, transformado em luz artificial e eletricidade, é incorporado pela mente de um artista” Antonio Curti, curador e co-fundador da AYA, estúdio que coordena a mostra.
Transitando entre o mundo físico e virtual, o que esperar da exposição Luz ӕterna – Ensaio Sobre o Sol no CCBB SP?
PHOTOSPHERE (2024 – Vigas)
Essa projeção em tela circular nos apresenta a variação de elementos astrofísicos e biológicos da dinâmica da fotosfera com dados e elementos reais.

CÉU ZERO (2024 – Matheus Leston)
Aqui você verá o horizonte, que separa o céu e a terra, na altura dos nossos olhos e como funciona a sequencia de acontecimentos nesse espaço.
O criador da obra é Matheus Leston, um músico paulistano, que foi inspirado desde cedo pela tecnologia por meio do pai programador.


FLUIDO SOLAR (2024 – Erotidesnai)
Nesta obra imersiva você será convidado a ficar frente a frente a uma placa, que nos revelam o que seria o nosso plexo solar, uma forma poética de ver nossa luz interior.
Assim que o sensor mapear o seu corpo, você se verá na tela… é muito diverdito!
A diretora pernambucana Erotidesnai é especialista em metaverso e já trabalhou em diversos projetos de moda para efeitos visuais para o cinema.
Suas inspirações vem da filosofia, arte e moda.
PERIHELION (2019 – Bruno Borne)
Nesta sala o céu é capturado e projetado em tempo real na sala e nos apresenta a precisão dos ciclos e o interesse pelas órbitas são evidentes
Bruno é doutor em poéticas visuais e sempre destaca em seus trabalhos questões sensoriais entre ambiente, obra e espectador.

GÊNESIS (2024 – Aya Studio)
Aqui você observará o Sol projetado para compreender melhor a sua história e influência até desde sua origem até a sociedade contemporânea.
Aya Studio, idealizado pelos paulistanos Felipe Sztutman (designer) e Antonio Curti (cineasta), é totalmente focado em instalações imersivas para projetos culturais. Desde de 2018, o estúdo entrega grandes produções em parceria com várias instituições culturais.
Inclusive a dupla é responsável pela curadoria da exposição!

Como atividade complementar a exposição, no dia 9/11, sábado, às 11h terá uma visita mediada com os curadores para estimular o diálogo com o público sobre técnicas e processos até chegarem no resultado da exposição.
A atividade é gratuita, mas precisa de ingresso para acessar a atividade, via site ou direto na bilheteria do CCBB SP.

Dicas para visitação no CCBB SP
Para quem não conhece o CCBB SP no centro histórico de São Paulo deixei um tópico com algumas dicas para aproveitar bem o seu passeio por lá.
Ah, aproveite a visita ao CCBB SP para conhecer os Tesouros Ancestrais do Peru que fica até dia 18 de novembro no prédio
Universo Amarelo: colagem sobre o Sol
Por aqui o Sol aparece nessa colagem como um girassol um pouco opaco em dias quentes em São Paulo.
Isso porque ao mesmo tempo em que o Sol possibilita destacar algumas cores no cinza triste e predominante da cidade, nós sufocamos no mar de concreto, de pessoas com corações de pedras, contidos em suas janelas e presos em seu egoísmo, preconceito e principalmente no seu medo.



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